quinta-feira, 3 de março de 2011

A participação de Mogi das Cruzes na Revolução Constitucionalista 1932

PARTE 2.

MOGI DAS CRUZES RECEBE A FRENTE REVOLUCIONÁRIA

A participação efetiva de Mogi das Cruzes na Revolução Constitucionalista começa em 10 de julho de 1932 com a chegada das primeiras tropas de soldados vindos de São Paulo, sendo que um dia antes, 9 de julho, a Revolução eclodia na capital paulista.

O segundo batalhão da Força Pública ao chegar na cidade de Mogi das Cruzes, usou o primeiro grupo escolar da cidade para servir de alojamento provisório dos soldados para descanso e preparação para seguirem viagem rumo ao estado do Rio de Janeiro para depor o Presidente Getúlio Vargas.


No dia seguinte, a Associação Comercial, com o apoio da Prefeitura e de toda população, organiza a “Assistência às famílias dos combatentes”, que se incumbiria de assistência médica às famílias dos combatentes e de retirantes da Zona Norte, a cargo dos Drs. Milton Cruz e Deodato Wertheimer; remédios oferecidos gratuitamente pela Farmácia Sta. Terezinha; “Casa do soldado”, à Rua Dr. Deodato; e “Lunch da Estação”, estas duas últimas a cargo de senhoras e senhoritas[1].


O jornal “A Gazeta” publicou no dia 10 de julho de 1.932 uma nota referente à chegada das Forças Constitucionalistas em Mogi das Cruzes dando uma grande importância à cidade citando que o povo recebeu com vivo entusiasmo ao som de trombetas a incomparável arrancada cívica de São Paulo Bandeirante, citando também a adesão de senhoras e senhorias á cruz vermelha, assim também como os soldados com idade superior a cinqüenta anos e fazendo referência aos professores, advogados, farmacêuticos e médicos que se alistaram para o movimento libertador[2].

Notando a preocupação com o perigo que uma guerra causa, a cidade não só se preparou para os soldados, mas também houve uma preocupação em relação às famílias dos soldados que possivelmente não voltariam do combate, ou que ficariam desamparadas sem seus homens em casa, a questão do sustento também é levada em conta, já que um soldado da casa fora por muito tempo ou até pra sempre em caso de morte, deixaria sua família desamparada, e a população desde suas autoridades até seus voluntários que não foram para a guerra, ajudaram conforme as necessidades e as dificuldades das famílias e dos próprios soldados combatentes.   

A linha ferroviária que liga a cidade de São Paulo ao Rio de Janeiro passa por Mogi das Cruzes e pelo Vale do Paraíba, sendo uma opção para conduzirem as Forças Revolucionárias ao seu destino, utilizando-se do trem que foi um meio de transporte rápido e muito utilizado para o deslocamento dos soldados.


[1]GRINBERG, Isaac. História de Mogi das Cruzes. São Paulo: Ed. Saraiva, 1961. p. 220.
[2] Anexo VI. A Gazeta – 10/07/1932

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