Resumo: O projeto de extensão da
Alfabetização solidária e da UMC, têm como meta ajudar a combater o
analfabetismo na região do Alto Tietê, usando verbas que são repassadas pelo
Governo Federal, criador do projeto Brasil Alfabetizado. Esta pesquisa tem como
objetivo divulgar o projeto e a parceria entre UMC E ALFASOL, assim como
entender o funcionamento, acompanhamento e os resultados alcançados pelo
projeto. Por isso o método será hipotético
dedutivo, fundamentado em autores como Calderón e Kobayashi, além de
informações dos sites da Universidade de Mogi das Cruzes, Ministério da
Educação e Cultura e da Alfabetização Solidária que deram subsídio ao trabalho.
Palavras – chave: Educação, Alfabetização,
Analfabetismo e Extensão.
Sumário: 1. Introdução; 2. Educação: UMC e Alfabetização
solidária; 2.1. Um breve histórico; 3. O que é extensão; 3.1. Objetivos da extensão; 4 .UMC e ALFASOL em parceria. 5. Considerações finais. 6. Referências Bibliográficas
1. Introdução
A extensão universitária é dos três pilares da educação, a
área voltada à comunidade de uma forma direta e que leva benefícios sem custos
à população, sendo um importante canal de ligação entre a universidade e a
comunidade na propagação do conhecimento, socialização e a formação cidadã.
De acordo com este
contexto, o objetivo deste estudo é divulgar a parceria entre UMC e ALFASOL na
atuação e seu funcionamento junto às comunidades carentes do Alto Tietê levando
o conhecimento através da alfabetização, enfatizando a importância da extensão
na propagação do conhecimento entre universidade e comunidade.
A importância da pesquisa
está ligada a expectativa de ampliar a divulgação do projeto de extensão que,
por ser gratuito e importante no atendimento das necessidades básicas de
alfabetização das pessoas leva ao conhecimento e a formação cidadã.
O método utilizado neste trabalho é o hipotético-dedutivo, pois se
pretende confirmar a hipótese inicial de que a extensão traz benefícios à
sociedade não só na democratização do conhecimento, mas também na criação de
projetos que tenham lucratividade para as pessoas, utilizando-se para isso os
seguintes doutrinadores: Calderón (2008) e Kobayashi (2006) além de informações
do site da Universidade de Mogi das Cruzes, Ministério da Educação e Cultura e
Alfabetização Solidária que deram subsídio a pesquisa.
Percebeu-se ao longo do
trabalho que a Universidade de Mogi das Cruzes e Alfabetização Solidária
através da extensão, propaga o conhecimento, gera e cria maneiras de que o
aluno seja alfabetizado, mas também aprenda um ofício para a geração de renda
na comunidade em que vive.
2. Educação:
UMC e Alfabetização solidária
2.1. Um
breve histórico
Os três pilares da
educação superior, ensino, pesquisa e extensão, formam a base do sistema
acadêmico e, extensão é a parte que leva benefícios e conhecimentos para a comunidade
sem custos e dividir conhecimentos para quem não tem, ou tem menos acesso.
Podemos dizer que a extensão teve seus primórdios na Grécia Antiga, quando os
filósofos gregos às vezes falavam em praça pública a todos, já que o ensino era
passado para jovens gregos de famílias aristocratas com custos elevados.
No Brasil, a educação
superior demorou a acontecer e teve início no século XIX com a chegada da
Família Real Portuguesa que, ao transferir a corte para o Brasil precisava de
profissionais qualificados das mais diversas áreas do conhecimento para o
crescimento e desenvolvimento do país. Os filhos de famílias de boas
condições financeiras tinham como costume ir
completar os estudos na Europa, e por poderem contar com esse recurso, acabavam
não implantando a educação superior no Brasil. O sistema de ensino de educação
superior no Brasil, só foi de fato virar realidade quando o país já nem vivia
mais a Monarquia, e sim a República. Com a implantação das primeiras escolas
politécnicas, faculdades de direito e de medicina em 1915 na então
capital, Rio de Janeiro, iniciaram formalmente a formação em ensino superior no
Brasil.
A Universidade de Mogi das
Cruzes trabalha há treze anos com projetos de extensão voltados a alfabetização
de jovens e adultos e, em 2010 foi criada uma parceria junto à ONG
Alfabetização Solidária e a prefeitura municipal para combaterem o
analfabetismo em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê. O núcleo de extensão da
universidade é responsável pela formação dos alfabetizadores, assim como o
acompanhamento do andamento do projeto, formação continuada e articuladora
junto à prefeitura de Mogi das Cruzes que, cede o espaço físico de algumas
escolas para serem as salas de aula do projeto. A ONG Alfabetização Solidária é
a responsável pelo repasse da bolsa auxílio para os alfabetizadores e do
programa Alfabetiza São Paulo do Governo Estadual de São Paulo.
De
acordo com Kobayashi (2008, p. 07):
O
Programa Alfabetização Solidária (PAS), trata de uma articulação entre uma ONG
que há muito se empenha em construir o planejamento, execução e avaliação do
empreendimento social, articulado a Universidades, Empresas, Secretarias Municipais
de Educação, tendo por objetivo capacitar equipes para alfabetização nos
municípios, formar multiplicadores, executar e avaliar o impacto social das
ações.
A
ONG Alfabetização Solidária, é a responsável junto ao Governo Federal em
articular junto das universidades parcerias e programas que viabilizem o acesso
das pessoas que necessitam ser alfabetizadas. O programa do Governo Federal,
Brasil Alfabetizado, existe desde 2003 e combate esse problema nacional, com
foco nas regiões Norte e Nordeste que têm os maiores índices de analfabetismo
no Brasil.
Segundo
o site do MEC:
O MEC realiza, desde 2003, o Programa
Brasil Alfabetizado (PBA), voltado para a alfabetização de jovens,
adultos e idosos. O programa é uma porta de acesso à cidadania e o
despertar do interesse pela elevação da escolaridade. O Brasil
Alfabetizado é desenvolvido em todo o território nacional, com o
atendimento prioritário a 1.928 municípios que apresentam taxa de
analfabetismo igual ou superior a 25%. Desse total, 90%
localizam-se na região Nordeste. Esses municípios recebem apoio técnico na
implementação das ações do programa, visando garantir a continuidade dos
estudos aos alfabetizandos. Podem aderir ao programa, por meio das resoluções
específicas publicadas no Diário Oficial da União, estados, municípios e o
Distrito Federal.
A
região Nordeste é onde se encontra a maior taxa de analfabetismo dentre os
municípios brasileiros, gerando maior concentração de esforços para erradicar
ou diminuir consideravelmente os índices que são elevados para poder contribuir
na vida social, no crescimento e melhorias na qualidade de vida das pessoas,
fazendo com que possam surgir novas oportunidades para a região e assim
melhorando a vida num todo. O problema da educação brasileira pode diminuir as
diferenças sócio-econômicas entre as regiões e estados brasileiros.
Portanto,
com o desenvolvimento de programas de alfabetização voltados a comunidades
carentes, formamos uma comunicação entre a instituição de ensino e as pessoas
de forma direta, caracterizando a extensão. O acompanhamento do projeto precisa
ser contínuo e eficaz, para que as pessoas absorvam o máximo possível do que
será passado, fazendo com que o projeto tenha êxito e, alcançado o êxito
significa que a comunidade absorveu e foi de grande valia todo o esforço
reunido entre todas as partes, garantindo o dever da extensão, que é levar
conhecimentos e benefícios a comunidade.
3.
O
que é extensão.
Extensão
universitária é uma obrigação de toda universidade para com a comunidade,
revertendo os conhecimentos adquiridos com a pesquisa e o ensino articulando um
trabalho voltado à comunidade. A intenção da extensão não é apenas levar
conhecimento, mas também de transformar a realidade social através de ações que
beneficiem as pessoas e propicie a interação entre comunidade e universidade.
Segundo
o site do MEC:
A EXTENSÃO entendida como prática acadêmica
que interliga a Universidade nas suas atividades de ensino e de pesquisa, com
as demandas da maioria da população, possibilita a formação do profissional
cidadão e se credencia, cada vez mais, junto à sociedade como espaço privilegiado
de produção do conhecimento significativo para a superação das desigualdades
sociais existentes. É importante consolidar a prática da EXTENSÃO,
possibilitando a constante busca do equilíbrio entre as demandas socialmente
exigidas e as inovações que surgem do trabalho acadêmico.
A extensão universitária é
indissociável do ensino e da pesquisa se completando na medida em que fornece
material para a pesquisa e campo para o ensino, mas, além disto, ela forma
cidadãos conscientes do seu papel junto à sociedade.
3.1 Objetivos da
extensão:
Um dos objetivos da extensão é dar prioridade às práticas
voltadas ao atendimento de necessidades sociais emergentes, como as
relacionadas com a área de educação, saúde e habitação, produção de alimentos,
geração de emprego, ampliação da renda e enfatizar a utilização da tecnologia
disponível para ampliar a oferta de oportunidades e melhorar a qualidade da
educação básica à superior.
Segundo o site do MEC:
Reafirmar a EXTENSÃO Universitária como
processo acadêmico definido e efetivado em função das exigências da realidade;
indispensável na formação do aluno, na qualificação do professor e no
intercâmbio com a sociedade, o que implica em relações multi, inter ou
transdisciplinares e interprofissionais.
As
práticas da extensão voltadas à educação ambiental e a sustentabilidade, também
são temas muito presentes e pertinentes que são fundamentais na prática de
ações sociais voltadas à comunidade.
A
participação da universidade também se refere a investimentos e financiamentos
que as instituições têm que destinar a projetos voltados à extensão como, por
exemplo, o núcleo de extensão e sua pró-reitoria, que são áreas das
universidades voltadas especificamente para elaborar, coordenar e acompanhar
projetos.
Segundo
o site do MEC:
O financiamento das metas da organização da
EXTENSÃO universitária terá como fonte de recursos órgãos públicos (federais,
estaduais e municipais) e as próprias universidades. O financiamento das metas
relativas à articulação com a sociedade será definido a partir da realização de
parcerias com órgãos e instituições ligadas às áreas de interesse, e
articulações políticas com agências de desenvolvimento.
O
papel desempenhado pela universidade na extensão mesmo que sendo oneroso, gerar
visibilidade da marca da universidade na comunidade e gera prestígio com os
órgãos públicos, uma vez que, participando ativamente e sendo forte na
comunidade, isso poderá reverter um dia com a integração de mais alunos de
comunidades beneficiadas com projetos que foram desenvolvidos e aplicados pelas
instituições de ensino superior.
4. UMC E ALFASOL em parceria
no projeto Brasil Alfabetizado.
Uma parceria de projetos de extensão, no caso
UMC e ALFASOL, que envolve uma instituição de ensino superior e uma ONG, é
financiada pelo Governo Federal fazendo parte do programa Brasil Alfabetizado.
O Governo Federal através do Ministério da Educação e Cultura disponibiliza em
sua página da internet, o link do programa citado, encontrando neste todos os
detalhes de como uma organização não governamental, instituição privada ou
pública, devem requerer e apresentar documentação necessária para criar uma
parceria para ser subsidiada pelo Governo Federal.
Segundo
o site da ALFASOL:
A AlfaSol atua desde 1997 nos municípios
brasileiros com os maiores índices de analfabetismo, indicados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) mais baixos (ou bolsões de pobreza de municípios de IDH médio e alto),
com o objetivo de reduzir os altos índices de analfabetismo que ainda vigoram
no Brasil e no mundo. A combinação destes índices é encontrada, principalmente,
nas áreas rurais do Norte e Nordeste do Brasil, consideradas as regiões de
grande dificuldade de acesso ao ensino e, portanto, foco primordial de nossa
atuação. Definimos como missão a ampliação da oferta de educação para os jovens
e adultos por considerarmos esta ação imprescindível na inversão dos
indicadores sociais no Brasil e no mundo. O analfabetismo está atrelado aos
demais indicadores da desigualdade social e condena gerações de jovens e
adultos à negação do direito fundamental de expressão e transformação de sua
vida pessoal e comunitária.
O jovem e o adulto egressos das
salas da AlfaSol, mais do
que prontos para a continuidade de seu processo de escolarização, são ativos na
mobilização de suas comunidades em torno do direito de todos ao acesso à educação.
Invertem índices e apropriam-se dos saberes acumulados pela sociedade para a
reescrita de sua história.
A
Universidade de Mogi das Cruzes e a Alfabetização Solidária iniciaram em Mogi
das Cruzes no ano de 2010 uma parceria para dar continuidade ao projeto de
alfabetização de jovens e adultos atuando inicialmente em oito escolas da
região. A finalidade do projeto não é apenas a alfabetização, mas também a
socialização e oportunidade de gerar fontes de renda para a comunidade, sendo
que, uma vez por semana os alunos participavam de aulas denominadas função
qualificadora, onde se ensina para os homens pequenos reparos elétricos e para
as mulheres bordados, crochê e artesanato, para que a função da extensão seja
também de criação de oportunidade e benefícios voltados à comunidade.
De
acordo com Calderón (2008, pag. 30)
A
sociedade brasileira requer da universidade uma contribuição mais direta na
busca de soluções para seus problemas estruturais nas áreas de saúde, educação,
emprego, transporte, habitação e meio ambiente. Partindo do princípio da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, entendemos que a
universidade deve investir mais diretamente em projetos que atendam às demandas
vindas das regiões onde está inserida, acompanhando-as mais de perto e criando
um espaço efetivo de interação com a comunidade.
A
implantação de projetos voltados à geração de renda é um incentivo para que
mesmo depois de implantado o projeto possa se manter mesmo sem a participação
direta da universidade, no caso da alfabetização é um pouco mais complexo,
porque para uma alfabetização de qualidade é necessário um educador, mas para
dar continuidade na função qualificadora a comunidade precisa se unir para
criar um grupo onde se possa ser repassada as técnicas aprendidas para obtenção
de renda das pessoas num modo geral.
Segundo
o site da UMC:
Implantado nos anos 90 em parceria com a Organização não
governamental Alfabetização Solidária, o referido programa objetiva alfabetizar
jovens e adultos que não tiveram acesso, na idade certa, à escolarização.
Objetiva ainda, auxiliar na diminuição da taxa de analfabetismo do país e no
encaminhamento de jovens e adultos para o ensino regular de modo que possam dar
continuidade aos estudos. A UMC, por intermédio de sindicatos, entidades
comunitárias, assistenciais, religiosas e organizações não-governamentais,
implantou, nos últimos três anos, dezenas de salas de aula nos diferentes
municípios do Alto Tietê (Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos,
Itaquaquecetuba, Biritiba Mirim, Salesópolis), contando com a participação de
professores e alunos da instituição.
A
erradicação do analfabetismo no Brasil e principalmente na região do Alto Tietê
são metas que instituições, governos e iniciativa privada vêm contribuindo em
projetos voltados às regiões mais carentes no intuito de melhorar a qualidade
de vida das pessoas através da alfabetização. Em Mogi das Cruzes a atuação da
Universidade de Mogi das Cruzes juntamente com a Alfabetização Solidária vem
demonstrando resultados significativos na quantidade de pessoas que procuram as
escolas para participarem do projeto.
As
ações comunitárias de extensão são um forte instrumento de apoio à comunidade
na propagação do conhecimento, contribuindo no âmbito da aprendizagem e na
experiência de novas descobertas sendo uma devolutiva dos profissionais
universitários com as comunidades.
5.
Considerações Finais
Este
artigo tratou a questão do analfabetismo na região do Alto Tietê, e foi
possível perceber que a Universidade de Mogi das Cruzes e a Organização não
Governamental Alfabetização Solidária, vem tendo êxito com a proposta inicial
de facilitar o processo ensino e aprendizagem, levando como forma de extensão
universitária a alfabetização nas comunidades.
A
divulgação do projeto começa a ganhar força e o número de alunos nas escolas
vem aumentando, sendo de maneira positiva nas expectativas geradas em torno da
aceitação e viabilidade do projeto, promovendo a socialização, a democratização
do conhecimento e contribuindo na geração de renda e formação dos cidadãos
caracterizando como benefício à sociedade.
REFERÊNCIAS
Educação de Jovens e Adultos; Canal6editora; BAURU/2008
Extensão Universitária; Olho d água; SÃO PAULO/2002
Ação Comunitária; Olho d água; SÃO PAULO/2004