segunda-feira, 23 de julho de 2012

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: UMC E ALFASOL EM PARCERIA PARA O COMBATE À ERRADICAÇÃO DO ANALFABETISMO NO ALTO TIETÊ





Evandro Lobo Costa[1]

Resumo: O projeto de extensão da Alfabetização solidária e da UMC, têm como meta ajudar a combater o analfabetismo na região do Alto Tietê, usando verbas que são repassadas pelo Governo Federal, criador do projeto Brasil Alfabetizado. Esta pesquisa tem como objetivo divulgar o projeto e a parceria entre UMC E ALFASOL, assim como entender o funcionamento, acompanhamento e os resultados alcançados pelo projeto. Por isso o método será hipotético dedutivo, fundamentado em autores como Calderón e Kobayashi, além de informações dos sites da Universidade de Mogi das Cruzes, Ministério da Educação e Cultura e da Alfabetização Solidária que deram subsídio ao trabalho.

Palavras – chave: Educação, Alfabetização, Analfabetismo e Extensão.

Sumário: 1. Introdução; 2. Educação: UMC e Alfabetização solidária; 2.1. Um breve histórico; 3. O que é extensão; 3.1. Objetivos da extensão; 4 .UMC e ALFASOL em parceria. 5. Considerações finais. 6. Referências Bibliográficas

1.     Introdução
       A extensão universitária é dos três pilares da educação, a área voltada à comunidade de uma forma direta e que leva benefícios sem custos à população, sendo um importante canal de ligação entre a universidade e a comunidade na propagação do conhecimento, socialização e a formação cidadã.
De acordo com este contexto, o objetivo deste estudo é divulgar a parceria entre UMC e ALFASOL na atuação e seu funcionamento junto às comunidades carentes do Alto Tietê levando o conhecimento através da alfabetização, enfatizando a importância da extensão na propagação do conhecimento entre universidade e comunidade.
A importância da pesquisa está ligada a expectativa de ampliar a divulgação do projeto de extensão que, por ser gratuito e importante no atendimento das necessidades básicas de alfabetização das pessoas leva ao conhecimento e a formação cidadã.
O método utilizado neste trabalho é o hipotético-dedutivo, pois se pretende confirmar a hipótese inicial de que a extensão traz benefícios à sociedade não só na democratização do conhecimento, mas também na criação de projetos que tenham lucratividade para as pessoas, utilizando-se para isso os seguintes doutrinadores: Calderón (2008) e Kobayashi (2006) além de informações do site da Universidade de Mogi das Cruzes, Ministério da Educação e Cultura e Alfabetização Solidária que deram subsídio a pesquisa.
Percebeu-se ao longo do trabalho que a Universidade de Mogi das Cruzes e Alfabetização Solidária através da extensão, propaga o conhecimento, gera e cria maneiras de que o aluno seja alfabetizado, mas também aprenda um ofício para a geração de renda na comunidade em que vive.
2. Educação: UMC e Alfabetização solidária
2.1. Um breve histórico
Os três pilares da educação superior, ensino, pesquisa e extensão, formam a base do sistema acadêmico e, extensão é a parte que leva benefícios e conhecimentos para a comunidade sem custos e dividir conhecimentos para quem não tem, ou tem menos acesso. Podemos dizer que a extensão teve seus primórdios na Grécia Antiga, quando os filósofos gregos às vezes falavam em praça pública a todos, já que o ensino era passado para jovens gregos de famílias aristocratas com custos elevados.
No Brasil, a educação superior demorou a acontecer e teve início no século XIX com a chegada da Família Real Portuguesa que, ao transferir a corte para o Brasil precisava de profissionais qualificados das mais diversas áreas do conhecimento para o crescimento e desenvolvimento do país. Os filhos de famílias de boas condições financeiras tinham como costume ir completar os estudos na Europa, e por poderem contar com esse recurso, acabavam não implantando a educação superior no Brasil. O sistema de ensino de educação superior no Brasil, só foi de fato virar realidade quando o país já nem vivia mais a Monarquia, e sim a República. Com a implantação das primeiras escolas politécnicas, faculdades de direito e de medicina em 1915 na então capital, Rio de Janeiro, iniciaram formalmente a formação em ensino superior no Brasil.
A Universidade de Mogi das Cruzes trabalha há treze anos com projetos de extensão voltados a alfabetização de jovens e adultos e, em 2010 foi criada uma parceria junto à ONG Alfabetização Solidária e a prefeitura municipal para combaterem o analfabetismo em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê. O núcleo de extensão da universidade é responsável pela formação dos alfabetizadores, assim como o acompanhamento do andamento do projeto, formação continuada e articuladora junto à prefeitura de Mogi das Cruzes que, cede o espaço físico de algumas escolas para serem as salas de aula do projeto. A ONG Alfabetização Solidária é a responsável pelo repasse da bolsa auxílio para os alfabetizadores e do programa Alfabetiza São Paulo do Governo Estadual de São Paulo.
De acordo com Kobayashi (2008, p. 07):

O Programa Alfabetização Solidária (PAS), trata de uma articulação entre uma ONG que há muito se empenha em construir o planejamento, execução e avaliação do empreendimento social, articulado a Universidades, Empresas, Secretarias Municipais de Educação, tendo por objetivo capacitar equipes para alfabetização nos municípios, formar multiplicadores, executar e avaliar o impacto social das ações.

A ONG Alfabetização Solidária, é a responsável junto ao Governo Federal em articular junto das universidades parcerias e programas que viabilizem o acesso das pessoas que necessitam ser alfabetizadas. O programa do Governo Federal, Brasil Alfabetizado, existe desde 2003 e combate esse problema nacional, com foco nas regiões Norte e Nordeste que têm os maiores índices de analfabetismo no Brasil.
            Segundo o site do MEC:
O  MEC realiza, desde 2003, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos. O programa é uma porta de acesso à cidadania  e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade. O Brasil Alfabetizado  é desenvolvido em todo o território nacional, com o atendimento prioritário a 1.928 municípios  que apresentam taxa de analfabetismo igual ou superior a 25%. Desse total,  90%  localizam-se na região Nordeste. Esses municípios recebem apoio técnico na implementação das ações do programa, visando garantir a continuidade dos estudos aos alfabetizandos. Podem aderir ao programa, por meio das resoluções específicas publicadas no Diário Oficial da União, estados, municípios e o Distrito Federal.

A região Nordeste é onde se encontra a maior taxa de analfabetismo dentre os municípios brasileiros, gerando maior concentração de esforços para erradicar ou diminuir consideravelmente os índices que são elevados para poder contribuir na vida social, no crescimento e melhorias na qualidade de vida das pessoas, fazendo com que possam surgir novas oportunidades para a região e assim melhorando a vida num todo. O problema da educação brasileira pode diminuir as diferenças sócio-econômicas entre as regiões e estados brasileiros.

Portanto, com o desenvolvimento de programas de alfabetização voltados a comunidades carentes, formamos uma comunicação entre a instituição de ensino e as pessoas de forma direta, caracterizando a extensão. O acompanhamento do projeto precisa ser contínuo e eficaz, para que as pessoas absorvam o máximo possível do que será passado, fazendo com que o projeto tenha êxito e, alcançado o êxito significa que a comunidade absorveu e foi de grande valia todo o esforço reunido entre todas as partes, garantindo o dever da extensão, que é levar conhecimentos e benefícios a comunidade.

3.    O que é extensão.
Extensão universitária é uma obrigação de toda universidade para com a comunidade, revertendo os conhecimentos adquiridos com a pesquisa e o ensino articulando um trabalho voltado à comunidade. A intenção da extensão não é apenas levar conhecimento, mas também de transformar a realidade social através de ações que beneficiem as pessoas e propicie a interação entre comunidade e universidade.
Segundo o site do MEC:

A EXTENSÃO entendida como prática acadêmica que interliga a Universidade nas suas atividades de ensino e de pesquisa, com as demandas da maioria da população, possibilita a formação do profissional cidadão e se credencia, cada vez mais, junto à sociedade como espaço privilegiado de produção do conhecimento significativo para a superação das desigualdades sociais existentes. É importante consolidar a prática da EXTENSÃO, possibilitando a constante busca do equilíbrio entre as demandas socialmente exigidas e as inovações que surgem do trabalho acadêmico.

A extensão universitária é indissociável do ensino e da pesquisa se completando na medida em que fornece material para a pesquisa e campo para o ensino, mas, além disto, ela forma cidadãos conscientes do seu papel junto à sociedade.

3.1 Objetivos da extensão:
Um dos objetivos da extensão é dar prioridade às práticas voltadas ao atendimento de necessidades sociais emergentes, como as relacionadas com a área de educação, saúde e habitação, produção de alimentos, geração de emprego, ampliação da renda e enfatizar a utilização da tecnologia disponível para ampliar a oferta de oportunidades e melhorar a qualidade da educação básica à superior.

 Segundo o site do MEC:

Reafirmar a EXTENSÃO Universitária como processo acadêmico definido e efetivado em função das exigências da realidade; indispensável na formação do aluno, na qualificação do professor e no intercâmbio com a sociedade, o que implica em relações multi, inter ou transdisciplinares e interprofissionais.

As práticas da extensão voltadas à educação ambiental e a sustentabilidade, também são temas muito presentes e pertinentes que são fundamentais na prática de ações sociais voltadas à comunidade.

A participação da universidade também se refere a investimentos e financiamentos que as instituições têm que destinar a projetos voltados à extensão como, por exemplo, o núcleo de extensão e sua pró-reitoria, que são áreas das universidades voltadas especificamente para elaborar, coordenar e acompanhar projetos.
Segundo o site do MEC:

O financiamento das metas da organização da EXTENSÃO universitária terá como fonte de recursos órgãos públicos (federais, estaduais e municipais) e as próprias universidades. O financiamento das metas relativas à articulação com a sociedade será definido a partir da realização de parcerias com órgãos e instituições ligadas às áreas de interesse, e articulações políticas com agências de desenvolvimento.

O papel desempenhado pela universidade na extensão mesmo que sendo oneroso, gerar visibilidade da marca da universidade na comunidade e gera prestígio com os órgãos públicos, uma vez que, participando ativamente e sendo forte na comunidade, isso poderá reverter um dia com a integração de mais alunos de comunidades beneficiadas com projetos que foram desenvolvidos e aplicados pelas instituições de ensino superior.

4. UMC E ALFASOL em parceria no projeto Brasil Alfabetizado.
 Uma parceria de projetos de extensão, no caso UMC e ALFASOL, que envolve uma instituição de ensino superior e uma ONG, é financiada pelo Governo Federal fazendo parte do programa Brasil Alfabetizado. O Governo Federal através do Ministério da Educação e Cultura disponibiliza em sua página da internet, o link do programa citado, encontrando neste todos os detalhes de como uma organização não governamental, instituição privada ou pública, devem requerer e apresentar documentação necessária para criar uma parceria para ser subsidiada pelo Governo Federal.
Segundo o site da ALFASOL:
A AlfaSol atua desde 1997 nos municípios brasileiros com os maiores índices de analfabetismo, indicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos (ou bolsões de pobreza de municípios de IDH médio e alto), com o objetivo de reduzir os altos índices de analfabetismo que ainda vigoram no Brasil e no mundo. A combinação destes índices é encontrada, principalmente, nas áreas rurais do Norte e Nordeste do Brasil, consideradas as regiões de grande dificuldade de acesso ao ensino e, portanto, foco primordial de nossa atuação. Definimos como missão a ampliação da oferta de educação para os jovens e adultos por considerarmos esta ação imprescindível na inversão dos indicadores sociais no Brasil e no mundo. O analfabetismo está atrelado aos demais indicadores da desigualdade social e condena gerações de jovens e adultos à negação do direito fundamental de expressão e transformação de sua vida pessoal e comunitária.
O jovem e o adulto egressos das salas da AlfaSol, mais do que prontos para a continuidade de seu processo de escolarização, são ativos na mobilização de suas comunidades em torno do direito de todos ao acesso à educação. Invertem índices e apropriam-se dos saberes acumulados pela sociedade para a reescrita de sua história.

A Universidade de Mogi das Cruzes e a Alfabetização Solidária iniciaram em Mogi das Cruzes no ano de 2010 uma parceria para dar continuidade ao projeto de alfabetização de jovens e adultos atuando inicialmente em oito escolas da região. A finalidade do projeto não é apenas a alfabetização, mas também a socialização e oportunidade de gerar fontes de renda para a comunidade, sendo que, uma vez por semana os alunos participavam de aulas denominadas função qualificadora, onde se ensina para os homens pequenos reparos elétricos e para as mulheres bordados, crochê e artesanato, para que a função da extensão seja também de criação de oportunidade e benefícios voltados à comunidade.
De acordo com Calderón (2008, pag. 30)
A sociedade brasileira requer da universidade uma contribuição mais direta na busca de soluções para seus problemas estruturais nas áreas de saúde, educação, emprego, transporte, habitação e meio ambiente. Partindo do princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, entendemos que a universidade deve investir mais diretamente em projetos que atendam às demandas vindas das regiões onde está inserida, acompanhando-as mais de perto e criando um espaço efetivo de interação com a comunidade.

A implantação de projetos voltados à geração de renda é um incentivo para que mesmo depois de implantado o projeto possa se manter mesmo sem a participação direta da universidade, no caso da alfabetização é um pouco mais complexo, porque para uma alfabetização de qualidade é necessário um educador, mas para dar continuidade na função qualificadora a comunidade precisa se unir para criar um grupo onde se possa ser repassada as técnicas aprendidas para obtenção de renda das pessoas num modo geral.

Segundo o site da UMC:
Implantado nos anos 90 em parceria com a Organização não governamental Alfabetização Solidária, o referido programa objetiva alfabetizar jovens e adultos que não tiveram acesso, na idade certa, à escolarização. Objetiva ainda, auxiliar na diminuição da taxa de analfabetismo do país e no encaminhamento de jovens e adultos para o ensino regular de modo que possam dar continuidade aos estudos. A UMC, por intermédio de sindicatos, entidades comunitárias, assistenciais, religiosas e organizações não-governamentais, implantou, nos últimos três anos, dezenas de salas de aula nos diferentes municípios do Alto Tietê (Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Biritiba Mirim, Salesópolis), contando com a participação de professores e alunos da instituição.

A erradicação do analfabetismo no Brasil e principalmente na região do Alto Tietê são metas que instituições, governos e iniciativa privada vêm contribuindo em projetos voltados às regiões mais carentes no intuito de melhorar a qualidade de vida das pessoas através da alfabetização. Em Mogi das Cruzes a atuação da Universidade de Mogi das Cruzes juntamente com a Alfabetização Solidária vem demonstrando resultados significativos na quantidade de pessoas que procuram as escolas para participarem do projeto.

As ações comunitárias de extensão são um forte instrumento de apoio à comunidade na propagação do conhecimento, contribuindo no âmbito da aprendizagem e na experiência de novas descobertas sendo uma devolutiva dos profissionais universitários com as comunidades.
5. Considerações Finais
Este artigo tratou a questão do analfabetismo na região do Alto Tietê, e foi possível perceber que a Universidade de Mogi das Cruzes e a Organização não Governamental Alfabetização Solidária, vem tendo êxito com a proposta inicial de facilitar o processo ensino e aprendizagem, levando como forma de extensão universitária a alfabetização nas comunidades.
A divulgação do projeto começa a ganhar força e o número de alunos nas escolas vem aumentando, sendo de maneira positiva nas expectativas geradas em torno da aceitação e viabilidade do projeto, promovendo a socialização, a democratização do conhecimento e contribuindo na geração de renda e formação dos cidadãos caracterizando como benefício à sociedade.

REFERÊNCIAS
Educação de Jovens e Adultos; Canal6editora; BAURU/2008
Extensão Universitária; Olho d água; SÃO PAULO/2002
Ação Comunitária; Olho d água; SÃO PAULO/2004
www.mec.gov.br; programa Brasil alfabetizado; acesso em 12/05/2011
www.alfasol.org.br/ programa de alfabetização de jovens e adultos
www.umc.br/pos/ extensão


[1] Professor de história pela Universidade Braz Cubas; estudante de Pós-graduação Lato sensu em Didática, Dinâmica e Gestão da Educação Superior pela Universidade de Mogi das Cruzes e MBA em Executivo em Finanças Corporativas pela Universidade Cidade de São Paulo.

3 comentários:

  1. Em breve será publicado um livro com 10 monografias feitas pela turma de 2011 sobre práticas da educação superior.

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  2. adoreei, me ajudou bastante no preparo de meu tcc da ETEC !

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  3. Isso mesmo, é muito importante que os alunos aprendam como desenvolver um trabalho sem utilizar de recursos que não ajudam em nada, o famoso copiar e colar...

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